Résumé de l'épisode
O cinema faz mal? Pôr uma criança de 12 anos, a idade de Brooke Shields em 1978, a fazer um papel altamente sexualizado como o que fez em Pretty Baby é difícil de aceitar hoje? Neste episódio de No Escuro voltamos aos filmes "malditos" a pretexto do regresso algo tonitruante em terras de Sua Majestade de The Devils, filme de Ken Russell. Até hoje só tinham circulado cópias truncadas, e uma cena em particular, conhecida como a "violação de Cristo", tornou-se mítica precisamente porque nunca fora vista. Volta agora aos cinemas britânicos, esse filme com odor blasfemo, passados 50 anos da estreia (algum distribuidor em Portugal se interessará?). É a versão original, como o realizador a concebeu. Procede-se simultaneamente a uma revisão do lugar de Russell no cinema britânico e internacional, ele que foi sempre liminarmente recusado pela crítica que o recebia com mimos como "grotesco"; agora, depois de morto, está a ser bafejado pelo trabalho escultural do tempo. Mas serão os espectadores de 2026 semelhantes aos…
O cinema faz mal? Pôr uma criança de 12 anos, a idade de Brooke Shields em 1978, a fazer um papel altamente sexualizado como o que fez em Pretty Baby é difícil de aceitar hoje? Neste episódio de No Escuro voltamos aos filmes "malditos" a pretexto do regresso algo tonitruante em terras de Sua Majestade de The Devils, filme de Ken Russell. Até hoje só tinham circulado cópias truncadas, e uma cena em particular, conhecida como a "violação de Cristo", tornou-se mítica precisamente porque nunca fora vista. Volta agora aos cinemas britânicos, esse filme com odor blasfemo, passados 50 anos da estreia (algum distribuidor em Portugal se interessará?). É a versão original, como o realizador a concebeu. Procede-se simultaneamente a uma revisão do lugar de Russell no cinema britânico e internacional, ele que foi sempre liminarmente recusado pela crítica que o recebia com mimos como "grotesco"; agora, depois de morto, está a ser bafejado pelo trabalho escultural do tempo. Mas serão os espectadores de 2026 semelhantes aos…
Épisodes
O cinema pode fazer mal? Até onde pode ir? Filmes “malditos”, parte II
ÉcoutéO cinema faz mal? Pôr uma criança de 12 anos, a idade de Brooke Shields em 1978, a fazer um papel altamente sexualizado como o que fez em Pretty Baby é difícil de aceitar hoje? Neste episódio de No Escuro voltamos aos filmes "malditos" a pretexto do regresso algo tonitruante em terras de Sua Majestade de The Devils, filme de Ken Russell. Até hoje só tinham circulado cópias truncadas, e uma cena em particular, conhecida como a "violação de Cristo", tornou-se mítica precisamente porque nunca fora vista. Volta agora aos cinemas britânicos, esse filme com odor blasfemo, passados 50 anos da estreia (algum distribuidor em Portugal se interessará?). É a versão original, como o realizador a concebeu. Procede-se simultaneamente a uma revisão do lugar de Russell no cinema britânico e internacional, ele que foi sempre liminarmente recusado pela crítica que o recebia com mimos como "grotesco"; agora, depois de morto, está a ser bafejado pelo trabalho escultural do tempo. Mas serão os espectadores de 2026 semelhantes aos…
A manteiga, o ovo, os “malditos”: de "O Último Tango em Paris" a "O Império dos Sentidos"
ÉcoutéNão têm uma história na escola, quando, no recreio, entre miúdos como vocês, alguém se atreveu com "a cena da manteiga" por causa de um filme chamado O Último Tango em Paris, título aliás que não emitia nada de lascivo? São mais novos do que isso... E a "cena do ovo" de O Império dos Sentidos? E Singin' in the Rain e as violações, ou a violência e uma sinfonia de Beethoven, em Laranja Mecânica, mais as longas pestanas de Alex DeLarge e um medo que fechava as portas sempre que, a partir de então, se olhava para Malcolm McDowell? E os distúrbios na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, por causa da programada exibição de Je Vous Salue Marie, de Godard? Levou à mobilização de grupos católicos conservadores no edifício da Rua Barata Salgueiro, fúria liderada pelo então presidente da câmara Nuno Abecassis, pretendendo "escaqueirar" tudo se a programação fosse avante (ele que já tinha escaqueirado o clássico cinema Monumental...). A memória também é uma construção. Mesmo quem não esteve lá, mesmo quem não tenha…
Desta vez, com "Digger", Tom Cruise estatela-se?
ÉcoutéUma pergunta e uma incontida melancolia: porque é que Tom Cruise não é um actor de "filmes normais", de comédias românticas ou de pequenos, serenos melodramas? Porque é que cada projecto tem de equivaler a uma proeza, como se fosse um mergulho no Grand Canyon ou um voo planado a partir do Empire State Building? Porque é que um filme com Tom Cruise se reconduz sempre à exibição de um solo? (saudades de A Cor do Dinheiro). Porque é que está sempre em causa a salvação do cinema? É o que nos perguntamos neste episódio de No Escuro, na semana em que estreia Digger, o filme que à fome (de Cruise) junta a vontade de comer (de Alejandro González Iñárritu): o sublinhado, o sentencioso, o grotesco. E eis como Digger, em que o actor interpreta um milionário e o mundo está a braços com a catástrofe climática, está já a dividir. Talvez por essa Tom não esperasse, ele que, entre outras coisas, é um salteador da arca perdida do consenso. Depois de verem o filme e de ouvirem este episódio do podcast, digam se concordam…
Estreia. "O Homem Que Matou Duas Vezes". Episódio 1: O Apelo
ÉcoutéUm homem mata uma ex-namorada. Uma amiga da vítima pede que se averigue o que falhou, uma vez que ele já antes matara uma ex-namorada, cumprira pena de prisão e estava ainda em liberdade condicional. O que falhou? O Homem Que Matou Duas Vezes é uma investigação de Ana Cristina Pereira, que escreveu os guiões e faz a narração, com produção de Inês Rocha, revisão de Inês Rocha e Sara de Melo Rocha, sonoplastia de Margarida Adão, música do genérico de Tiago Orato, ilustrações de José Carvalheiro e produção executiva de Amílcar Correia. A série narrativa, de sete episódios, vai além da reconstrução dos crimes cometidos por João Pedro Oliveira. Recupera a história das vítimas e do homem que as matou ao mesmo tempo que escrutina o sistema. Para conhecer a história toda, ouça os próximos seis episódios. Se precisa de ajuda, ligue para o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica da CIG: 800 202 148. Ou para a linha de Apoio à Vítima da APAV: 116 006. Outros créditos: som recolhido em manifestação em…
Entre o sexo de "... Acampamento Miasma" e a cabeça de Almodovar, preferimos o sexo
ÉcoutéAdolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma é título de filme de terror. O cartaz, com as duas protagonistas cobertas de sangue, também aponta nessa direcção. Mas não nos precipitemos, porque quem não gosta de terror pode ter a tentação de o evitar e seria uma pena. Há sangue a jorrar e algumas cabeças a voar apenas porque Jane Schoenbrun, cineasta, presta aqui homenagem ao género slasher. Mas depois transcende-o para fazer um filme que é, afinal, muito mais sobre sexo e como encontrar um lugar seguro no medo, por paradoxal que possa parecer. A personagem principal, Kris (Hannah Einbinder, que não anda longe de ser um alter ego de Schoenbrun), foi convidada a recuperar a série de filmes sobre o Acampamento Miasma, voltando ao espírito original depois de várias tentativas para manter o entusiasmo dos fãs vivo. Para isso, quer ter no filme a "última rapariga" do episódio original. Ela é Billy (Gillian Anderson) e vive, reclusa, no acampamento isolado onde foi filmado o primeiro Miasma. É uma espécie de…